A Casa de Chá da Boa Nova foi projectada e construída na sequência de um concurso levado a cabo pela Câmara Municipal de Matosinhos em 1956, do qual saiu vencedor o arquitecto Fernando Távora que entregou o projecto a um dos seus colabores, Álvaro Siza Vieira, que estava a dar os primeiros passos na sua carreira. Construída sobre as rochas, a apenas dois metros da água, com o mar de fundo, o espaço começou por funcionar originalmente apenas como casa de chá. Actualmente divide-se pelo bar, onde se pode apreciar um chá ou um café olhando o oceano, e a zona de restaurante. É um dos locais mais procurados pelos amantes da arquitectura, pelos apreciadores de uma boa refeição e, sobretudo, pelos que gostam de contemplar o mar.
Está bem perto do Porto, junto ao mar, ao lado de um farol e de uma capela, uma casa que exige a sua visita: pela beleza privilegiada do local onde se insere. Porque é uma das primeiras e mais emblemáticas criações de Siza Vieira, que nos marca pela harmonia da estética e dos materiais, pela forma suave e natural como se aninha sobre as rochas e se integra com perfeição na paisagem. Pelo deslumbramento da contemplação do mar e de um pôr-de-sol únicos, pela sedução e conforto do seu interior com ligação directa, através de paredes de vidro, à beleza agreste das rochas e do mar que a abraça. A Casa de Chá da Boa Nova é um sítio perfeito para um café depois do almoço, ou para uma bebida relaxante ao fim da tarde, com um pôr-de-sol indescritível ou com a chuva a bater nos vidros e o ruído de fundo do mar a fustigar as rochas que nos envolvem, podendo-se desfrutar de momentos de prazer que nos acariciam a alma, no conforto de uma sala com materiais nobres, onde a madeira domina, aconchegados nos sofás de couro que rodeiam mesas baixinhas e à luz ténue de pequenos abajures.
Formou-se na Escola Superior de Belas-Artes do Porto. Considerado o mais conceituado arquitecto da actualidade em Portugal, Siza Vieira alcançou notoriedade e reconhecimento internacional por meio de obras como a recuperação do bairro judeu de Veneza ou a intervenção no bairro Schildersveijk (1984/1988), em Haia. As habitações que construiu em Matosinhos (1954/1960), bem como a Casa de Chá da Boa Nova (1958/1965) em Leça de Palmeira, obras iniciais da sua carreira, salientam-se sobretudo pela inovação no espaço interior e pela relação com a natureza que as rodeia. A Casa de Chá parece, aliás, buscar inspiração nas construções de Frank Lloyd Wright, emergindo da própria rocha. Siza Vieira utiliza, nas suas construções, materiais tradicionais que articula com o próprio espaço orgânico, criando uma simbiose entre o edifício e o meio ambiente. Paralelamente às construções privadas, as suas obras de carácter urbanístico também se destacam, como o projecto para Caxinas ou o Conjunto Habitacional de Bouça (1973/1974), no Porto. Na década de 1980, obras como a Casa Avelino Duarte (1981), em Ovar, anunciam já os traços formais dos seus trabalhos posteriores até aos nossos dias: revestimentos de pedra, rebocos brancos e assimetrias inesperadas.